Desafiar a perfeição

Desafiar a Perfeição

Às vezes levamo-nos demasiado a sério, penso com tanta frequência. Quantas vezes já concluiu isto, sobretudo quando era “tarde demais”? Talvez tenha dito que desistia, que não ia tentar mais, que não era capaz, descobrindo que, afinal, tudo se resolvia… Talvez se tenha deixado tomar pelo desânimo, antecipando um insucesso, que até nem se tenha confirmado… E se te tivesse rido por um momento? De si, do fantasma de falhar, da dificuldade em gerir o que não pode mudar… O que teria sido diferente? E se ousasse em desafiar a perfeição?

“If you can’t laugh at yourself you have missed the biggest joke of all”, consta que dizia Rick Snyder, o inspirado investigador e pai da teoria da Esperança.

Lembre-se de que rir, pode ser, de facto, o melhor remédio. E se não trouxer soluções, pode fazer-lhe ver o outro lado daquela situação, desdramatizando o processo.

O desafio que lhe lanço hoje é este: desafie o perfeccionismo. Aceite ser um exemplar médio, edição comum, tamanho regular. Você é extraordinário, na sua singularidade, não precisa de o provar a ninguém.
Simplesmente, faça, apareça, dê a cara. Não procrastine com medo de falhar. Não evite para fugir à vergonha. Dê o seu melhor, dentro do tempo que tem. Isso bastar-lhe-á, você sabe. Lembre-se: é melhor feito, que perfeito. E ao fim do dia, isso terá feito a diferença.

 

9 dicas para desafiar a perfeição

 

#1. O que importa não é o que conquista (não é o reconhecimento dos outros, não é o resultado final, não é a consequência prática). O que importa, verdadeiramente, é aquilo em que se torna. É o processo invisível do seu crescimento interior.

#2. Pare de pensar na imensidão do tempo futuro e foque-se neste dia, nesta hora. Quem quer ser? Que quer fazer do seu tempo? Que objectivos quer, de facto, cumprir?
Hoje pode ser apenas mais uma segunda-feira ou o princípio do que quiser. O que vai escolher?

#3. Recomeçar é pegar na caneta. Negociar a incerteza da página em branco com a promessa de uma nova história. Pegar no fio que há-de conduzir o fim ao novo início, pela nossa mão. E devagar, ir devolvendo o nosso cunho ao caderno abandonado, fazendo o luto do passado e arriscando um novo futuro, acreditando que somos tantos quantos criarmos.

#4. A vida encarrega-se de que erre, fique descansada. 
Por isso, talvez esteja na hora de parar de fugir do insucesso, aceitar a possibilidade da crítica e interromper, de uma vez por todas, esse medo que a trava.
A vida tem uma forma de se reinventar quando menos esperamos, e nunca sabemos quanto podemos crescer com uma dificuldade até finalmente passarmos por ela.
Torne-se presente para que as incertezas da vida a surpreendam. Não se agarre demasiado à ideia de que está numa determinada direcção. Levante-se a cada dia e entregue-se àquilo que faz. E, sobretudo, confie em si.

#5. O seu tempo tem qualidade?
A expressão “tempo de qualidade” entrou no nosso léxico sem que nos detivéssemos no que isto significa, de facto, para cada um de nós.
A investigação diz-nos que não basta ter tempo livre. Ele tem de ser construtivo. Passar horas frente à televisão ou fazer compras (excepto se for para outras pessoas), não torna o nosso tempo significativo, todos sabemos Para crescermos com ele, o tempo livre deve ser estruturado, dar prazer, ter objectivos ou ser desafiante: Arranje um actividade que lhe dê prazer e que possa fazer 30 minutos por dia (ler um livro, fazer tricot, fotografar);

  • Aprenda algo novo (uma língua, canto, escrita, etc);
  • Faça exercício (de preferência em boa companhia);
  • Socialize (faça do tempo com pessoas de quem gosta uma prioridade no seu tempo);
  • Crie (use a sua criatividade e produza alguma coisa pelas suas próprias mãos);
  • Aprecie (a música, a vista, o que quer que esteja a acontecer no seu presente);

Ao final do dia estará cansada, mas saberá que o seu tempo valeu a pena.

#6. Meraki: termo grego que designa a ação de fazer as coisas com a alma, criatividade e amor.

Comece o dia a aceitar a sua vulnerabilidade, a impossibilidade de controlar todas as condições de sucesso e a certeza de que o único lugar imune à crítica (sobretudo à mais implacável, a sua) é aquele em que não tenta.
Comece o dia a dar espaço ao risco de falhar, a expor-se ao erro, a habilitar-se à crítica.
Comece o dia a ser quem é, na esperança convicta de que isso, se íntegro e inteiro, basta. É um caminho difícil, mas é o único caminho de sucesso que verdadeiramente importa.

#7. Ver para lá do óbvio. 
Já lhe aconteceu ficar a sorrir depois de uma troca de palavras simpática com um estranho? Com a gentileza da pessoa que lhe dá passagem quando atravessa a estrada apesar de estar vermelho? Com o sentido de humor da pessoa da caixa daquela loja? Já nos aconteceu a todos. São pequenos momentos de felicidade entre estranhos-que-deixam-de-o-ser, tão improváveis como frequentes. E têm um nome, que une Economia e Psicologia. Chamam-se Bens Relacionais.

#8. O cérebro é como um músculo. 
A tendência natural do cérebro é assegurar a nossa sobrevivência, estando atento aos sinais de perigo e descartando o que não interessa ou o que é abertamente positivo. Interessa-lhe mais a sobrevivência do que a felicidade.
Por isso é importante aprender a treinar, deliberadamente, o nosso cérebro para o positivo, exercitando o optimismo, até que ele o faça sozinho.
Hoje é um bom dia para começar.

#9. É extraordinária. 
Há momentos na sua história em que pôs em prática o seu lado mais luminoso, as suas competências mais eficazes, as suas características mais positivas. Lembra-se de alguns desses momentos de excelência? Eles contam-lhe do seu máximo potencial, revelam-lhe como é quando se sente mais vivo e o que acontece quando é fiel à sua natureza. Eles expressam o seu melhor eu.
Reúna alguns destes momentos numa folha e componha o seu melhor retrato.
Essa é você, no seu melhor. Porque é extraordinária.

 

  Publicado por Sofia Castro Fernandes