roda dos alimentos, cozinhar de forma saudável

A saúde é determinada, em primeiro lugar, pelo comportamento alimentar. Assim sendo, ao longo dos anos têm vindo a desenvolver-se estratégias de educação alimentar que, de forma atrativa e agradável, consigam melhorar conhecimentos. Só assim se consegue moldar atitudes e comportamentos face à alimentação, sempre em prol da saúde.

 

É o que procuro fazer no meu dia-a-dia, através de todos os meios de comunicação da Nutrição com Coração… Em todas as sessões de educação para a saúde, em cada consulta, procuro regressar ao “ponto de partida”. Uma das melhores – senão a melhor – representação gráfica do que é uma alimentação equilibrada, variada e completa – ou da “comida saudável e feliz”, de que tanto falo, – é a Roda dos Alimentos. Prestamos-lhe pouca atenção, achamos que a conhecemos bem. “O meu filho aprendeu na escola”, “eu sei exatamente o que é” ou “é básico”, são respostas comuns que ouço quando pergunto “já olhou bem para a mensagem da Roda, conhece-a?”.

 

Uma parte menos boa da facilidade com que a informação nos chega nos dias em que vivemos, é a imensidão de pressupostos pouco credíveis e muitos deles contraditórios, com que nos bombardeiam. Se em vez de procurarmos saber tantas “novas” informações, muitas delas sem qualquer fundamento ou evidência científica, nos dedicássemos a conhecer a fundo a ferramenta preciosa de que falo, a tal que as nossas crianças aprendem nas escolas em tenra idade, seria meio caminho andado para acabar com a confusão que se criou em torno de falsas crenças alimentares.

 

Alimentação Saudável

 

A Roda dos Alimentos Portuguesa é inegavelmente uma das mais importantes ferramentas de ensino alimentar!

 

Surgiu há mais de 40 anos e contava então com 5 grupos. Foi sofrendo alterações, fruto do estudo mais aprofundado dos alimentos, evoluiu e conheceu um novo contorno em 2003 – há 15 anos -, altura em que foi publicada a “Nova” Roda dos Alimentos, uma versão já com 7 grupos. Existe agora uma versão mais recente, lançada em 2016, que concilia, com mais exemplos de alimentos tipicamente portugueses, o ensino de bons hábitos alimentares com os princípios base da Dieta Mediterrânica, património imaterial da humanidade. Esta é, já agora, a dieta que aconselho, mas sobre isso falarei depois.

 

A Roda do Alimentos é consensual, não espoleta discussões entre a comunidade científica. Naturalmente a evolução passa pela busca constante de ferramentas e de novos meios que facilitem o entendimento das pessoas e por isso provavelmente não ficaremos por aqui.

 

O QUE SE PRETENDE claramente, é aumentar a largos passos a literacia em saúde e este caminho tem vindo a fazer-se, ainda que discretamente. A Roda é de facto útil. Existem, noutros países, guias diferentes, criados com o propósito comum de ensinar a diversificação alimentar, mas em Portugal não são aconselhados, a não ser a pirâmide mediterrânica. O princípio base é sempre o mesmo: agrupar os alimentos que são semelhantes em termos nutricionais, de forma a que o seu ensino contribua para facilitar um ato alimentar mais saudável. A busca contínua por uma ferramenta de comunicação que melhor consiga fazer passar a mensagem de alimentação saudável não vai certamente terminar por aqui, repito, mas de momento, em Portugal, adota-se a Roda dos Alimentos como elemento educativo preferencial, dada a melhor perceção de distribuição da ingestão diária pelos vários grupos alimentares, não hierarquizando os alimentos como numa pirâmide. É interessante perceber que nela se representa não só o prato da refeição, mas também uma mesa de refeição, em torno da qual, idealmente, se convive num ato de degustação e prazer. Sim, porque comer pode – deve! – ser agradável, não um exercício de contagem de calorias e manutenção de escolhas saudáveis, mas que não se saboreiam com alegria. Comer bem deve dar prazer.

 

CONHECENDO CADA GRUPO, bem como os equivalentes alimentares dentro de cada um desses grupos, as pessoas conseguem orientar as suas refeições diárias por este guia. Tenho seguido vários exemplos de pessoas que começam por não valorizar o que lhes peço (o estudo da Roda) mas que depois de passarem a compreendê-la, começam a usar os seus princípios e percebem que tudo se clarifica. Uma das maiores dificuldades das pessoas tem a ver com o fato de não conhecerem os equivalentes alimentares. Com a Roda aprendem a fazer substituições, a diversificar, mesmo dentro de cada grupo, as suas escolhas. A Roda representa as porções de alimentos de cada grupo alimentar que se deve ingerir diariamente. Como alguns exemplos, posso referir que uma porção de pão deve pesar 50g, uma porção de fruta 160g e uma porção de laticínios 250ml de leite ou 200g de iogurte. Tal não invalida que se ingiram meias porções, em refeições mais pequenas. Acho importante dar o exemplo prático de um grupo específico, para melhor compreender, escolhi o dos “cereais, tubérculos e derivados”: 1,5 batatas médias (120g) equivalem, em termos de hidratos de carbono, a 1 pão (50g), ou seja, se em vez de comer em casa for a um piquenique, ou almoçar na praia, por exemplo, poderá trocar a batata do prato da refeição por uma porção de pão que represente uma quantidade equivalente. Conhecendo os alimentos de cada grupo e a porção média que cada deve ter, podemos praticar uma alimentação saudável dentro ou fora de casa.

 

TANTAS VEZES PROCURAMOS informação sobre alimentação saudável em vários meios e esquecemos que a Roda dos Alimentos nos dá dados tão importantes. É ela que devemos conhecer, antes de mais. Este é um conselho que invariavelmente dou na minha consulta. Se queremos alimentar-nos bem e ter informação fidedigna, comecemos por aí!

 

NATURALMENTE, o ideal será que cada pessoa tenha o seu próprio plano alimentar, com quantidades de macronutrientes calculadas para cada caso, de acordo com um sem número de características individuais e de estilo de vida. Esse é o trabalho de um nutricionista! Se quisermos generalizar o aconselhamento alimentar, então a melhor ferramenta de aprendizagem e colocação em prática de conhecimentos úteis é mesmo ensinar a Roda. “Dieta” quer dizer “modo de vida” – o título do meu quarto livro! – e devemos cuidar da nossa alimentação, do nosso modo de viver, que molda diretamente a nossa saúde, o mais possível. Esta parece uma ferramenta simples, que todos conhecemos, mas não custa nada parar para a estudar um pouco mais a fundo. Entenderemos muito mais sobre os alimentos e descobriremos como facilitar os nossos dias, escolhas e substituições alimentares. Ainda está um pouco cético? Então dispense apenas dez minutos a esse estudo, olhe a fundo para a Roda e depois volte a responder-me: continua cético? Acredito que não.

 

A roda dos alimentos - ingredientes saudáveis

 

 Publicado por Ana Bravo